Defender Direitos, Fazer Antropologia

Proposta

A eleição para a Diretoria da ABA acontece em um momento grave no país. Estamos acompanhando diariamente os efeitos mortíferos da pandemia do COVID19, cujas consequências mais dramáticas se fazem sentir nas populações mais vulneráveis e periféricas. O elevado número de mortes e a falta de dispositivos de defesa sanitária constituem hoje uma verdadeira ameaça de genocídio das populações de baixa renda, dos povos indígenas e tradicionais, dos negros e negras, das pessoas LGBTT, de idosos/as e de moradores/as de favelas e periferias. O aumento de mortes pela pandemia vai de par com ataques também mortíferos a essas populações pela violação sistemática de seus direitos. Essa situação devastadora vincula-se fortemente aos projetos e às práticas autoritárias que estão em curso, conduzidas pelo governo federal. A ABA tem se manifestado e não pode se calar.

Como associação profissional a ABA tem um histórico importante de defesa das minorias e de compromisso ético com práticas científicas respeitosas das populações e de seus direitos, do meio ambiente e da diversidade social e cultural como valores fundamentais. São muitos anos e muitas gestões em que ela se aprimora, desenvolve-se, amplia seus temas, sua abrangência e ganha mais proeminência no espaço público. Em tempos mais recentes, com a democratização do acesso ao ensino superior e o significativo aumento do número de antropólogos/as indígenas e quilombolas, o quadro de associados da ABA tem se tornado cada vez mais diverso e obrigado a associação a refletir de modo mais profundo sobre o papel da antropologia na sociedade brasileira contemporânea. Esta chapa compromete-se com esse legado, mira-se em seu exemplo para agir com a adaptação necessária às dificuldades atuais.

No momento em que as ciências, em especial as ciências humanas, são alvo de uma política de desmonte, assumimos o compromisso de manter e valorizar as iniciativas de articulação entre a ABA e as demais associações científicas em defesa das instituições que devem assegurar a atuação do Estado e da sociedade em vários planos. Estas iniciativas visam garantir a valorização das ciências humanas no país e reivindicar políticas de financiamento da pesquisa antropológica em parceria com as demais associações representativas de categorias científicas.

O grande legado da ABA decorre do seu compromisso com o saber e com o fazer científico, de pesquisador/as/es em antropologia associando-o ao compromisso de defesa dos direitos humanos. Temos como eixo do nosso programa o investimento cada vez maior nesse duplo combate: defender o trabalho antropológico e a ciência no país e posicionar-se sempre contra as violações de direitos da população brasileira, dando especial atenção às minorias, alvos permanentes de ataques.

O programa

  1. Manter o compromisso com a defesa do Estado de direito democrático e dos princípios inscritos na Constituição de 1988.
     
  2. Valorizar manifestações e iniciativas agregadoras dos associados e das associadas no âmbito da ABA e também em esferas públicas. Discutir e divulgar as políticas de associação, visando torná-las mais inclusivas.
     
  3. Incentivar os comitês de especialistas, essenciais ao trabalho da ABA, em todas as frentes de suas agendas. Com o conhecimento específico que desenvolvem suscitam o apoio às causas das populações com as quais trabalham e que cada vez mais os compõem: povos indígenas, populações urbanas periféricas, quilombolas, negros e negras, pessoas LGBTT, etc. Fortalecer a atuação dos Comitês existentes, promover formas de potencializar e de repercutir suas atividades, incentivando a diversidade em sua composição.
     
  4. Divulgar o nosso código de ética e as considerações da ABA sobre o exercício profissional presentes em seus protocolos para garantir um amplo conhecimento de seus parâmetros. Fomentar o debate e avaliar as possibilidades de regulamentação da profissão de antropólogo/a em continuidade com os esforços já existentes.
     
  5. Manter e valorizar as iniciativas da ABA e das demais associações científicas que se uniram em defesa das instituições que devem garantir a atuação do Estado e da sociedade em vários planos, como aqueles da ciência, dos direitos humanos, dos direitos diferenciados, das artes, do patrimônio, do meio-ambiente, da educação, da saúde, e demais políticas sociais.
     
  6. Lutar pela valorização das ciências humanas no país e por políticas de financiamento da pesquisa antropológica em parceria com as demais associações representativas de categorias científicas, no momento em que as ciências humanas estão sendo alvo de uma política de desmonte. 
     
  7. Valorizar o papel essencial e o bom desempenho que a secretaria da ABA vem realizando. Apoiar o seu funcionamento.
     
  8. Desenvolver cada vez mais os instrumentos e a capacitação da ABA em termos tecnológicos e institucionais para favorecer e incentivar a produção, a divulgação e a troca de conhecimento entre antropólog/os/as, seus interlocutores e também o público mais amplo. Aqui se inclui a revista Vibrant, a TV ABA, o selo de publicação da ABA, seu boletim, as imagens, os filmes, valorizando especificamente as novas mídias que hoje se impõem, como o Youtube, o Facebook, o Instagram e os vários meios de manter contato à distância.
     
  9. Dar continuidade a uma política de obtenção de financiamento para responder adequadamente aos compromissos programáticos da nossa associação. Buscar, sempre que possível, fontes ainda não exploradas.
     
  10. Em que pesem as dificuldades de encontros no contexto atual, manter o compromisso de realizar a Reunião Brasileira de Antropologia, suas assembleias e reuniões de conselhos científicos.

Composição:

Presidente
Patricia Birman (UERJ)

Vice-Presidente
Cornelia Eckert (UFRGS)

Secretaria Geral
Carla Costa Teixeira (UnB)

Secretaria Adjunto
Carly Machado (UFRRJ)

Tesouraria
Andrea Lobo (UnB)

Tesoureiro Adjunto
Camilo Braz (UFG)

Diretor NORDESTE
Fabio Mura (UFPB)

Diretora NORTE
Patrícia Maria Portela Nunes (UEMA)

Diretor SUL
João Frederico Rickli (UFPR)

Diretora CENTRO OESTE
Luciana de Oliveira Dias (UFG